Feimafe 2017: E o mercado não parou

Em retração há mais de três anos, o mercado de máquinas e equipamentos no Brasil vinha desde o primeiro trimestre dando alguns sinais de recuperação e crescia entre os expositores da Feimafe 2017 (realizada na semana passada em São Paulo) a expectativa positiva de realização de negócios durante o evento. Até que, em meados de maio, a partir da delação da JBS, uma avalanche de más notícias inundou o mercado e trouxe consigo novas indefinições e inseguranças. Porém, contrariando as expectativas, como se viu na feira, o mercado não está paralisado.

 

Não é tarefa simples explicar o que ocorreu no Expo Center Norte na semana passada. Era possível entrar num estande e encontrar um expositor satisfeito e no estande seguinte se deparar com um insatisfeito. Diferentes teorias, diferentes análises, muitos culpados (JBS, congresso, duas feiras do mesmo setor num curto espaço de tempo...) e até quem notasse indicações de que a economia poderia estar se descolando da política.

 

O comentário de Christian Pavan, diretor da Eurostec, talvez ajude a compreender um pouco do clima do evento. “Antes de vir para cá, a feira para nós era uma incógnita. Agora, te digo que é uma feira atípica”. Por quê? “Nos corredores se vê pouco movimento, mas - com exceção do primeiro dia - nosso estande está sempre cheio, com pessoas interessadas, público bastante qualificado e fechando negócios”.

 

Dirk Huber, do Grupo Junker, por sua vez, considerou o movimento muito fraco, embora a qualificação dos visitantes tenha permitido a realização de alguns bons contatos. “O grande problema é a existência de duas feiras, que dividiu o público. A Feimafe costumava receber 70 mil visitantes e, na abertura da feira, os organizadores informavam que a expectativa era de 35 mil visitantes”, observou.

 

“O número de visitantes é menor, mas a proporção volume/qualidade do visitante é muito melhor”, disse Ricardo Lerner, diretor da Bener. “Não é o cenário ideal, mas os negócios estão acontecendo. Fechamos bons negócios (incluindo uma prensa de grande porte) e recebemos aqui no estande donos e diretores de empresas que não víamos há um bom tempo em feiras”.

 

Para Eduardo Trevisan, gerente-geral da Deb´Maq, que expos 18 máquinas na feira, as mudanças de data e local e a existência de duas feiras do mesmo setor contribuíram para reduzir o movimento. “Poucos negócios foram fechados”, comentou, frisando ter notado que, ao contrário de suas expectativas, não surgiram novos projetos.

 

Carlos Ibrahim, diretor da Makino do Brasil, considerou a visitação boa em volume e em qualidade. “Considerando o que ocorreu em meados de maio, que para muitos trouxe de volta a mesma sensação que tínhamos antes do impeachment, foi positivo”, disse. “O que se pode perceber aqui é que o mercado está precisando de máquinas e que os negócios de maior valor agregado serão retomados assim que se resolver a crise política”.

 

Paulo Gunji, presidente da Muratec, considerou os resultados da feira positivos. “Atendeu as expectativas”, declarou, acrescentando que o público foi apenas razoável. “Fizemos aqui bons contatos, com novos clientes, com grande potencial para o fechamento de negócios em breve”.

 

Na opinião de Vinicius Cordeiro, gerente da CIMHSA, a visitação foi abaixo da expectativa, mas os empresários que estiveram no estande da empresa demonstravam intenção de comprar. “Fizemos alguns negócios (aliás, acima da Mecânica do ano passado), incluindo máquinas de grande porte. Se percebe que a indústria está querendo retomar, o que hoje só depende de uma definição da situação política do país”.

 

“O evento foi bem organizado, mas infelizmente a divisão das feiras rouba público e brilho”, disse João Carlos Visetti, presidente da Trumpf, um dos poucos expositores que participaram tanto da Expomafe quanto da Feimafe. “A visitação foi boa, com mais visitantes qualificados e para a Trumpf a feira ficou acima das expectativas, até porque vendemos: três máquinas de corte a laser, uma dobradeira e uma puncionadeira, e fizemos vários contatos que devem virar negócios nas próximas semanas”.

 

Reed Exhibitions - “Dentro de nossa proposta inicial, consideramos o evento um sucesso”, afirmou Gustavo Binardi, diretor de Eventos da Reed Exhibitions, referindo-se às atrações do evento, como a Arena de Robótica e Automação Industrial, a Arena do Conhecimento e o Fórum Feimafe, que segundo levantamentos iniciais tiveram boa procura.

 

“De outro lado, sabíamos que o mercado não passa por um momento ‘comprador’. Assim, fizemos um intenso trabalho de levantamento para atrair potenciais compradores de máquinas e equipamentos nas bases de dados de nossas outras feiras, como a Automec (autopeças), Brasil Offshore (óleo e gás), Fenatran (transportes)”, disse, frisando que o portfólio de feiras da Reed Exhibitions cobre 22 setores. “A partir desse levantamento convidamos mais de 3 mil compradores para participar de nosso programa Premium Club Plus e tivemos a confirmação de cerca de 2.500 convidados, o que contribuiu em parte para a qualificação do público visitante”.

 

Fonte: Revista Usinagem Brasil

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