ITA FAZ PROJETO DE SIMULADOR DE VOO COM ROBÔ DA KUKA



O ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e a Embraer, em parceria, estão desenvolvendo um projeto de grande importância para a aviação nacional, o SIVOR. Trata-se simulador de voo criado que utiliza um robô industrial Kuka como plataforma. O programa começou em 2015 com o intuito de desenvolver uma alternativa mais flexível à tradicional plataforma de Stewart, que movimenta o cockpit em espaço de trabalho reduzido, quando comparado à plataforma de simulador de voo usando o braço robótico.


“O robô oferece uma amplitude maior de movimentos, permitindo que façamos pesquisas e estudos com maior grau de fidelidade sobre a sensação real do piloto em um voo”, explica a engenharia mecatrônica, professora e pró-reitora de pós-graduação do ITA, Emilia Villani.


E o robô escolhido foi o KR 1000 titan, um equipamento de seis eixos que move peças e componentes pesados com segurança e precisão, montado em trilho de 10 metros de comprimento com eixo linear, o KL 3000, ambos da Kuka Roboter.


“Isso permite ao sistema 7 graus de liberdade no end effector do robô, que tem no punho um cockpit representativo de uma aeronave comercial da Embraer, um Phenom 300. É um simulador de voo com uma grande amplitude de mobilidade, permitindo manobras e movimentos que os simuladores convencionais não são capazes de fazer”, comentou o professor adjunto de Engenharia Mecânica do CCM (Centro de Competência em Manufatura) do ITA, Carlos Cesar Aparecido Eguti.


O projeto SIVOR também utiliza softwares da empresa, como o KUKA.Sim para programação offline e o pacote de comunicação RSI, Robot Sense Interface, que está integrado com outros programas do projeto.


De acordo com Eguti, um dos motivos da opção pelo modelo KR 1000 titan “é que a solução oferecida pela Kuka era a única que possibilitava a carga útil de uma tonelada sobre um trilho. Além disso, utilizamos robôs da Kuka há muitos anos, sendo a principal marca que utilizamos no CCM do ITA, pois é uma fabricante focada em robótica e seus periféricos, garantindo uma alta qualidade aos produtos”, afirmou Eguti.


Vantagens e diferenciais do simulador robótico – A professora Emilia garante que dois pontos são as principais vantagens sobre a plataforma anterior. “O robô permite maior espaço da área de trabalho, ou seja, volume para movimentação do simulador; e o custo também é muito mais atrativo, já que os robôs são produzidos em grande escala para diversos mercados, enquanto a plataforma de Stewart é mais específica e possui um valor mais alto”, aponta.


Além disso, o simulador do ITA é o único no mundo com alto grau de fidelidade se comparado a uma cabine real. “Este não é o primeiro projeto deste tipo, mas é o único com um nível de fidelidade próximo ao necessário para certificação do simulador, tanto no que se refere ao cockpit quanto ao sistema de projeção visual do simulador”, conta a pró-reitora.


O engenheiro mecânico especializado em Sistemas de Comandos do Voo, que atua na área de desenvolvimento tecnológico da Embraer, Marco Antonio de Oliveira Alves Junior, disse que este projeto de simulação é importante para a aviação nacional como um todo.


“Especialmente na Indústria Aeronáutica, temos que priorizar a segurança. Passamos anos estudando diversas possibilidades, assim como estamos fazendo com a aplicação robótica que já vem mostrando bons resultados. Cerca de 50 pilotos testaram a plataforma e a maioria deu um parecer muito positivo”, complementa Alves Jr..


O professor Luís Gonzaga Trabasso, pesquisador chefe do Senai de Joinville (SC), um dos idealizadores do SIVOR, que à época trabalhava no ITA, também explica por que este projeto é importante para a aviação no Brasil.


“O robô KR 1000 Titan movimenta o cockpit de uma aeronave e sistemas auxiliares tais como projetores de alta resolução, tela de projeção, dispositivos de guiamento do avião, com realimentação de força para o piloto, tornando a pilotagem realista. Com o robô comercial sendo o elemento gerador de movimento, o custo do simulador de voo ficou em torno de 1 para 10 do custo de um simulador convencional. Adicionalmente, robôs antropomórficos têm sido utilizados em várias atividades do processo de manufatura aeronáutica, como furação e cravação automática de rebites, alinhamento automático de seções de fuselagem e pintura de fuselagens”, finaliza o professor.


Investimento e resultados – O SIVOR teve aporte financeiro de R$ 9 milhões, com envolvimento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), da Embraer, e uma contrapartida do ITA.


Segundo a professora Emilia, um dos principais resultados do projeto foi a patente com registro em inovação. “Além disso, diversos artigos foram publicados em periódicos e apresentados em congressos internacionais. Para o ITA, o protótipo criado é muito importante já que, também, será utilizado para o desenvolvimento de diversas outras pesquisas”, finaliza.



Fonte: Revista Usinagem Brasil

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