Dólar nas alturas estimula a nacionalização de peças


Desde o início do atual governo o valor do dólar já subiu quase 50%, sendo que metade desta elevação se deu após o início da pandemia da Covid-19. Em 2 de janeiro de 2019, a taxa de câmbio estava em R$ 3,80; sexta-feira passada, 22 de maio, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,57.


Este expressivo aumento tem reflexos diretos na produção da indústria brasileira, em grande parte dependente de peças e componentes importados. Para ficar apenas em um exemplo, estima-se que um automóvel popular produzido no Brasil contém 30% de peças e componentes importados.


Essa dependência não impacta apenas no custo, mas na própria fabricação de produtos no País, como a pandemia evidenciou: quando a China adotou o lockdown e interrompeu a produção de vários itens, várias fábricas em todo o mundo - de produtos químicos-farmacêuticos a automóveis, passando pelos eletrônicos - tiveram de paralisar suas linhas por falta de componentes, de insumos.


Este cenário tem levado muitas indústrias a avaliar a nacionalização de peças e componentes. É o caso da CNH Industrial, fabricante das máquinas agrícolas e de construção das marcas New Holland e Case. “Esse movimento {a nacionalização de peças} é necessário, pois o câmbio coloca pressão nas nossas operações e certamente reveremos parte da nossa cadeia global de fornecimento após a pandemia. Temos que nos reinventar, porque no cenário atual, com alta de 30% no preço do dólar, não é fácil fechar as contas. Enfim, precisamos ser mais competitivos”, disse Thiago Wrubleski, diretor de Planejamento Comercial da CNH Industrial, em evento online promovido pela Autodata.


Participante do mesmo evento, Alfredo Jobke, diretor de Marketing da AGCO América do Sul, afirmou que “a tendência é localizarmos mais componentes, considerando o patamar atual do dólar. Só assim conseguiremos avançar na competitividade e aproveitar o cenário rentável das exportações. Temos essa oportunidade de negócios após a pandemia”.


Setor Automotivo - A nacionalização de peças e componentes também entrou na agenda das empresas do setor automotivo. Em outro evento online, este promovido pela Automotive Business, o presidente da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si, colocou o tema como questão estratégica. O executivo informou que a Volkswagen já tinha planos de ampliar o uso de peças produzidas no País, mas acredita que o movimento poderá ser ainda maior nos próximos anos, especialmente com o câmbio valorizado. “Há muitas oportunidades para aumentar a nacionalização de componentes tecnológicos, de infoentretenimento, airbags, peças para motores, entre muitos outros”. E acrescentou: “Temos pessoas capacitadas para fazer muitas coisas que hoje importamos.”


Para Dan Iochpe, presidente do Sindipeças - Sindicato Nacional da Indústria de Autopeças o choque cambial pode ser um incentivo para a nacionalização de autopeças. “Porém, para ter um movimento efetivo será necessário que haja competitividade ao longo do tempo, o que envolve o trabalho árduo de redução do custo sistêmico local, o chamado Custo Brasil”, disse em entrevista ao “O Estado de S. Paulo”.


Sílvio Furtado, diretor da ZF América do Sul, informou que, mesmo em home office, seu pessoal está buscando identificar potenciais fornecedores locais que atendam os níveis de tecnologia de seus produtos. “Este trabalho tem apoio dos nossos clientes, pois, além de reduzir a exposição cambial, minimiza riscos logísticos ante a fragilidade demonstrada por esta pandemia, para não depender de um único fornecedor, principalmente distante e de ação limitada”.


Para Besaliel Botelho, presidente da Bosch no Brasil, antes de decidir pela nacionalização vários fatores deverão ser considerados. “Vai haver oferta mundial forte com a queda geral das vendas e isso vai aumentar a pressão por custos e o mecanismo de competitividade será outro”, diz. Além disso, passada a pandemia, “se espera mais protecionismo do que havia até agora.”


Para Botelho, a disparada do dólar torna a produção local atraente, mas, com a crise atual, que deve fazer com que a produção de veículos demore de dois a três anos para voltar aos níveis de 2019, “é difícil pensar em novos investimentos porque as empresas estão sem caixa”.


Eletroportáteis - No caso dos eletroeletrônicos, a dependência por produtos importados é ainda maior, chegando a 75%. A Mondial, fabricante de eletroportáteis, anunciou em abril que iria nacionalizar a produção de batedeiras, ventiladores de grande porte usados, caixas de som e cooktops. Estes produtos vão compor a portfólio produizidos em sua fábrica, na Bahia.


Agora, em maio, a empresa já adicionou novos produtos à lista: ferro elétrico tradicional, ferro a vapor e dois modelos de fritadeira elétrica. "Com o dólar se consolidando acima de R$ 5, entrou no nosso radar a fabricação local de mais produtos", afirmou o sócio-fundador da empresa, Giovanni Marins Cardoso, acrescentando que um dos objetivos é também expandir as exportações para os países do Mercosul.


Este movimento pela nacionalização de produtos chegou até ao governo federal, segundo José Velloso, presidente executivo da Abimaq - Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Antes da crise, até fevereiro, a nota de toque era pela abertura comercial. Na Casa Civil e no Ministério da Defesa já veem a necessidade de diminuir a dependência de bens industrializados do exterior, uma mudança muita rápida. A conversa agora é sobre substituir importações por bens nacionais, escolhendo setores estratégicos”, disse em entrevista para “O Globo”.


Fonte: Revista Usinagem Brasil

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