Dez setores industriais que se beneficiam com alta do dólar

Desde o início do ano, o dólar alcançou valorização de quase 15% sobre o real e a moeda americana estava avaliada em R$ 3,26. Segundo projeção da ABDI - Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, pelo menos dez setores podem ter vantagens competitivas com a alta da moeda norte-americana. A indústria da celulose, da metalurgia e a extrativa de madeira estão entre os setores com possibilidades de ganhos maiores no curto e médio prazos.


De acordo com o coordenador de inteligência da ABDI, Rogério Araújo, commodities e produtos menos complexos saem ganhando quando o real está desvalorizado. Exemplos: madeira e celulose, cuja confecção não exige muitos componentes, o que torna mais barato produzir e exportar. Outro setor que ganha com a alta do dólar, apesar de envolver um processo de produção mais elaborado, é o calçadista, que tem forte vocação exportadora.


A projeção da ABDI é feita com base em alguns dados gerados pelo mercado como o coeficiente de exportações líquidas da CNI, do índice de produtividade do IBGE e análise da balança comercial da FGV - Fundação Getúlio Vargas.


Não é apenas o real que tem acumulado quedas sucessivas em relação à divisa norte-americana, o fenômeno está ocorrendo em diversos países. No Brasil, a taxa de câmbio efetiva real - quando são descontados outros fatores como a inflação - já acumula uma desvalorização de 7%, segundo a FGV. O especialista da ABDI aponta que, se a desvalorização se consolidar, um incremento das exportações da indústria nacional deve ocorrer. O complicador, no entanto, está justamente na volatilidade da moeda, que pode atrapalhar o fechamento de negócios. “Quando o empresário confirma uma venda para o exterior, ele precisa projetar o câmbio. Com alterações repentinas essa estimativa fica comprometida”, explica Rogério.


Os produtos de maior valor agregado, como eletrônicos, fármacos e químicos, têm muitos componentes vindos do exterior, por isso esses setores saem perdendo com o aumento do dólar, que ocasiona um aumento do custo de produção no curto e médio prazos. Por isso é fundamental uma qualificação e modernização da indústria nacional. “Quando o componente é complexo como equipamentos de informática, onde quase 50% dos materiais são importados, o setor é prejudicado com a valorização da moeda norte-americana. Por mais que a indústria possa vender por maior valor, o custo de produção também aumenta. Uma saída é aumentar o tecido industrial para depender menos do produto importado. A ideia é tornar o produto brasileiro mais valioso, ou seja, investir em inovação e qualificação. Assim, os produtos que saem das fábricas nacionais têm maior valor agregado”, observa o coordenador.


Entre os setores industriais que podem ser beneficiados com o aumento do dólar no curto e médio prazos estão:


- Produtos têxteis;

- Couro, artigos para viagem e calçados;

- Produtos de madeira;

- Celulose, papel e produtos de papel;

- Produtos de minerais não metálicos;

- Metalurgia;

- Produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos);

- Máquinas e equipamentos;

- Veículos automotores, reboques e carrocerias;

- Outros equipamentos de transporte.


Fonte: Revista Usinagem Brasil

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